Sarah Kane em Blasted criou uma montanha-russa dramatúrgica, que em vez de voltar a seu início, se descarrilha, e coloca seus personagens (ocupantes) que antes gozavam em uma cova.
Sua construção que de início parece um texto realista dentro dos padrões (Um casal que chega a um hotel de luxo....bebem, flores, tomam banho e etc.) vai desaparecendo com os apontamentos que a autora vai inserindo, como uma arma, a maneira rude com que Ian trata Cate, sua suposta amante, o descaso com o copeiro do hotel, ataques que Cate sofre inexplicavelmente e uma misteriosa ligação recebida por Ian.
Porém já na segunda cena nos fica claro que a cova que está sendo cavada, já não é tão rasa como poderíamos pensar. Logo pela manhã Ian começa a beber. Sofre com dores extremas, a relação do casal entra em colapso e o revólver entra em cena, mas seu gatilho não e apertado.
Ainda na segunda cena Sarah quebra totalmente com todos os aspectos de um teatro realista com a entrada de repente de um soldado e o sumiço inexplicável de Cate.
As ações vão se sucedendo de maneira que o hotel explode, aparece um bebê, cenas de amputamento, estupro e canibalismo.
Magistralmente Sarah coloca em Blasted uma visão pseudo-pessimista do homem, com a imagem simbólica do casal isolado num quarto de hotel que tenta se comunicar (se amar), o que não acontece (ou não conseguem), a invasão da privacidade, inversões entre os personagens do papel de oprimido e opressor, cenas de extremo ódio e violência, que em meio a uma guerra se dilacera ainda na esperança do amor. No belíssimo Obrigado final de Ian.
20 de Agosto de 2009
I. Dib

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