No mundo atual onde a realidade é defasada ou até mesmo banalizada em programas de reality-shows que já passam de sua décima edição, ou mesmo no jornalismo apelativo e explícito cada vez mais explorado, cabe ao teatro contemporâneo a função de investigar um outro aspecto (uma outra vertente) da realidade, menos apelativa, menos explícita e mais original.
No teatro moderno o que interessava era a dramaticidade em cena, os aspectos psicológicos e emocionais realmente vivenciados em cena pelos atores, que com suas técnicas para tais objetivos conseguiam transmitir e emocionar o público em suas obras. Porém este aspecto da realidade já saturado pela mídia não só acabou perdendo sua força em cena, como cada vez mais a uma certa aversão a esta linguagem, salvo é claro algumas exceções.
Uma possibilidade atual de se conseguir resgatar a força da dramaticidade no teatro contemporâneo, é a encenação que antes sugeria uma realidade vivenciada em cena com atores fantasiados de seus personagens, agora ser guiada exatamente pelo caminho oposto, pela falsa plasticidade construída. E estamos constatando que quanto mais artificial, maior sua linha de força.
Isso não significa que é um trabalho fácil, pois a falsidade que falo é uma extremamente pensada e calcada principalmente na dimensão artística de quem a executa. Há de ter olhos para enxergar os sintomas que regem a contemporaneidade para se conseguir construir uma falsidade verdadeira, ou se preferir mais original.
Um teatro da antivida, mas que não é a morte.
[ Sempre detestei um pouco o teatro porque o teatro é o contrário da vida, mas sempre volto para ele e gosto dele porque é o único lugar em que se diz que não é a vida - Bernard-Marie Koltès. ]
27 de Janeiro de 2010
I. Dib
Amigo Igor, seu texto fatiou meus pensamentos en filigranas de [CENSORED!, ou seja, another time hablamos en vivo acerca desse mistério, o 'hapax'], mas ouso dizer que, apesar de gostar da sua bela e lúcida escrita, ainda sinto um maniqueísmo do 'real' contra o 'fake' [pasmando, o 'real' que tu imaginavas viceral tornou-se um 'reality-show' da pequeno-burguesia! CUM on, man, this is sooo 60's]. Sendo que, em minha opinião sincera, não é uma questão de oposição [Welcome to the 'real' world, Neo, lembra-se? Nem aquilo é real. Merda, tô começando a sentir-me stupid]. Na falta de uma conclusão lógica e linear, acho que vou apelar pra Chanel [sem joguinhos de enigma, hã? isso é coisa pras encruzilhadas do pac-man against the ghosts]. Continuando, diz a Mademoiselle Chanel: "o LUXO não é o oposto da pobreza, mas do MAL GOSTO."
ResponderExcluirErrata: onde lê-se 'viceral', trata-se de 'visceral'.
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